10 setembro, 2008

Senhor Barqueiro, Senhor Barqueiro,
Por onde me procurais?
Estou aqui ao lado do arqueiro,
Porque as asas dele pesam demais.

Os ventos no Olimpo já não existem,
Nem os Santos dos Santos querem rezar,
Os Sorrisos nada dizem,
E sei que mais cedo ou mais tarde, irão acabar.

Venha, estou a sua espera,
Olhando o horizonte, o sol poente
Vendo crescendo uma pequena hera,
Que mais tarde, sim, ficará doente.

Estranho nesta Fronteira,
Que existe apenas em Mim.
Pois se já fui um dia Sementeira,
Hoje? Hoje só procuro o Fim.

Venha! Não desejo este abandono,
Venha rápido, bem veloz,
Pois o corpo já sente sono,
Como o Rio que quer a Foz.

Sentado neste cais de ouro
Já sinto no corpo, o sal a queimar
Porque a validade deste colete de couro
Só dura até a Lua acordar.

Amanhã, o arqueiro vai voar
As asas se irão erguer,
Sim, esta espera deu para mostrar,
O que já prevíamos que iria acontecer.

Silêncio, Este meu canto é um pedido,
Por isso nesta noite, deixa-me estar ao teu lado.
Eu sei que não devia ter acontecido,
Mas este sonho está longe de estar acabado.

Durante o movimento das estrelas,
Eu serei um Cavaleiro encantado.
E quando o sol entrar nas ruas e vielas,
Eh! Eh! Eh! Também eu serei alado.

Canta, Dança, Mata a tua sede
Sente os mistérios do Amor,
Senhor Barqueiro, Senhor Barqueiro vede,
Os Anjos afinal também têm dor.

Agarro-me a esta curta manta
E não sei como dividir,
Merda para este Amor que espanta
Até os anjos que vivem a sorrir.

"É necessário ter o caos aqui dentro para gerar uma estrela."
[ Friedrich Nietzsche ]

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