Tremo ao ouvir a chuva de manhã, tremo porque sei que quando olhar para o céu apenas irei encontrar a luz daquele que está escondido.
Ao acordar, sei que vai faltar o calor, a alegria, as brincadeiras ao ar livre.
E, por mais que procure algo para fazer, estarei triste, incompleto, sem forças para continuar a minha reforma.
Ontem no caminho de casa, encontrei algo no qual acreditei que poderia me fazer feliz no Inverno que se aproxima.
Em vez de o abrir antes de dormir, não o fiz, pois não quis sonhar.
Levanto-me com fé neste pequeno pedaço de papel, uma simples folha caida no chão, pensando que continha os segredos de um homem sábio, as formulas de conseguir ultrapassar a Necessidade de amar, de ser Amado e a conjugação destas Duas artes.
Mas infelizmente havia partes que estavam apagadas. Linhas inteiras de esperança, de crença, para logo depois desaparecerem...como o sol nesta manhã molhada.
As tantas e depois de tanto tentar perceber a mensagem, e porque acordei com esta tristeza, voltei a colocar a mensagem no caminho onde estava.
Abro a janela, e lanço ao vento as palavras do velho sábio e vejo-as, ao afastarem-se lentamente, a sorrir para mim como se tivessem a agradecer mais uma vez a liberdade.
Ao sentir as pequenas gotas que tocavam as minhas mãos, acordo para a minha pequena realidade.
Estava a chover, e tinha acordado triste.
Fecho os olhos, imagino um arco iris e digo timidamente:
- Chuva, por favor, lava-me, por alguma razão estás nesta minha manhã.
- Não te quero beber, apenas refresca a minha boca porque tenho sede...
28 outubro, 2007
Por
Ricardo Marques

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