Na hora do chá, em que normalmente trazemos a paz como nossa companhia, procurei na linha que não existe, o caminho para onde iria.
Com aquele fumo negro, que sabia perfeitamente de onde vinha, desmanchava-se o meu sorriso que mais tarde iria fazer perder a minha coragem.
No dia seguinte, acordei sem amor, sem calor mas cheio de palavras.
Palavras estas que ao ser ouvidas, espalhavam Pó e Confusão. Eram apenas letras aglomeradas.
Não é surpresa, todos sabemos que já ninguém procura a Poesia para o Abraço, apenas queremos traçar caminhos sem destino e com pedras nos bolsos, para dar o contra-peso.
Mas foi por um vestido verde que me apaixonei, por uma vontade que não a minha, que me guiei.
- Baco dá-me água salgada para molhar a minha face, pois sinto-a seca e rígida.
Saio de casa com os olhos no chão, e a única vez que olho para cima, é para a moeda que lancei ao ar.
Tinha escolhido caras com um sorriso e saiu-me coroas de rainha.
Percebi naquele momento que sempre fiz parte da plebe, e como bem comportado que tento sempre parecer ser, saio sem ser notado.
Nas horas que devia estar a dormir, encaixo-me nas minhas duas almofadas, e tento acreditar, que um dia eu nasci para alguém e não apenas para mim próprio.
Rezo em poucas palavras - Por favor, deixa-me Adormecer porque assim posso sonhar que estou Acordado.
Nas poucas horas de sono que tenho, vários dentes de leão dançam tranquilamente neste meu quarto Encantado.
Porque não há vento, ficam meus companheiros nesta dança mágica, esperando com doçura, pelo nosso dia.
Sei que posso Voar sozinho, mas ainda não tenho força nas minhas asas.
Quando tiver, será que ainda acredito que posso ser um Pássaro solitário?
A Pergunta que talvez não me deixa descansar é:
E esta espécie de Pássaro existe?
04 novembro, 2007
Por
Ricardo Marques

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