06 dezembro, 2007

Afinal as estrelas estão em toda a parte, como parte de mim sempre estará.

Em cada passo dado, a minha marca pertence à calçada esculpida por tantos outros.

Quando ponho a espada em frente ao dragão, o que vejo não são uns olhos temerosos, mas sim um olhar que me enfrenta.

Consigo desbravar a folhagem que oculta a minha fronte, mas nesse mesmo instante, instala-se em mim um pânico que não consigo disfarçar.

Percebe-se que não estou confiante, que não tenho o meu bastão que segura a minha caminhada.

Receoso ergo a minha mão e separo uma vez mais, os ramos da árvore que sempre me amparou. E faço-o com estas mãos que estão feridas com o ódio de outrora, com a raiva e o desespero que ainda (será?) cultiva o meu passado.

O que o futuro me reserva, não será revelado no presente nem está escrito nas paredes lisas que pareço querer alisar. São as curvas que sustentam o meu ciclo, e reciclam este choro que nem sequer é usado.

Ser este moinho que espera que o vento mova, não encaixa na ardósia das lições que Ele me ensinou.

A Espada, o Guerreiro, o Músico, o Arquitecto, a Alegria, a Natureza e o Dragão, não são suficientes para construir a solidez de uma alma.

Será necessário mais, mas o quê?

Procuro-o incessantemente no espaço vago, nos rostos das pessoas que passam e que revelam total desinteresse pela minha busca.

Por tudo isto…

Não quero sentir, quero ser.

Não quero cantar, quero gritar.

Não quero rir, mas sim chorar.

Quero tudo, mas não consigo nada.

O que é querer isto?

...

2/3 - Bcn

1 comentário:

Carla disse...

Não quero sentir, SOU.

Não quero cantar, CANTO.

Não quero rir, RIO.

Quero tudo, E CONSIGO TUDO.