Cubro a minha cara, os meus cabelos, com ouro, apenas para receber-te.
Para dedilhares a minha pele vazia, já seca das antigas chuvas de Inverno.
Este meu corpo, que faz de conta que não se importa, que não se preocupa, que se veste só para não estar nu… Precisa de melodia!
E perante esta folha que esconde a verdade das minhas palavras, a essência da minha sede, sou aquilo que pretendo ser, Invisível.
Não quero que me entendas, não quero que me ajudes, não quero a nossa Felicidade.
Não quero… porque também não me entendo, não sei que ajuda preciso, e muito menos acredito na nossa Sociedade.
Hoje, basta o teu sorriso, o sorriso da criança que nada sabe, que procura edificar castelos de areia na rebentação das ondas, e mesmo assim acredita que ali… irá ser o seu reino.
Durante a nossa ajuda nessa construção, (afinal é apenas uma criança), o sol queima, o vento sopra, e subjugados à linha do mar que nos define o olhar e que separa o céu, quero estar sem pensar, sem culpar, sem pensar, a brincar, sem pensar.
E nas noites em que vemos as luzes da ponte, que une as margens de um rio, a cintilar as paredes onde nos encontramos, gosto e quero sentir, os nossos corpos a fluírem naturalmente ao som da vontade de ambos.
-E se, aquela magia do gelo que impressiona a inocência dos nossos seres se tornasse Eterna, sem nunca sabermos o óbvio? - Perguntou o Sol.
Fechou os olhos. Baixinho, e depois de timidamente ter pedido licença para dizer um segredo, o Mar responde:
-Seria o consolo para quando estou só… no meu antigo Eu de Chocolate.
O Dois, que contigo será Três, nunca poderá ser Um, pois as Aranhas da Fortuna que se acumulam nos cantos não permitem.
No entanto, e como já te disse, acredito que estes círculos podem estar juntos, unidos com o querer, com a vontade, com a Força de cada um de nós.
Escrevo estas palavras, calmo, paciente, em paz… porque sei que um Dia irás vir ter comigo.
Por isso, durante esta espera, que se espera longa, cubro a minha cara, os meus cabelos, com ouro…
Apenas para Amar-te.
Se é que eu ainda sei fazer essa inconsciência!
Acendo incenso… irá ajudar-me a não me esquecer da consciência.
10 junho, 2008
Por
Ricardo Marques

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