12 março, 2009

*Fecharam-me os olhos. Obrigaram-me a fechar os olhos.


-Fecha os olhos... Por favor, fecha os olhos...

Pegaram-me na mão. Não sei por onde fui, apenas me lembro do cheiro a madeira antiga, do aroma suave que vinha da janela cuja brisa me penteou os cabelos... e fui...

Peguei-lhe na mão, queria levá-la para fora daquele quarto antigo. Queria que aquela brisa que lhe penteava os cabelos negros nos levasse para bem longe.

Agarraram-me na mão, agarraram-me na anca, encostaram-me num colo e levaram-me.

Apertei a minha mão contra a dela, agarrei-lhe na anca, encostei o corpo dela ao meu e fomos. Para onde? Não interessava.

Fizeram-me sentir medo, sentir frio, sentir saudades, sentir esperança, sentir-me gente, sentir-me mulher, sentir-me macia, sentir-me forte, sentir-me tentadora, sentir-me intocável, sentir-me única.

Quis dizer-lhe para que não tivesse medo, que sentisse apenas o meu calor e uma restea de esperança. 
Afinal és e serás sempre  aquela mulher  que uma vez vi. Forte no entanto macia, tentadora, quase intocável. Atreviria-me até dizer... Única!

Fizeram-me sentir-me, e continuavam a levar-me, e eu ia...

-Sente... Vem...

Passei por sitios provavelmente inimagináveis, sim fui lá; sem perceber afinal que a única coisa que viajava era o calor do rosto que timidamente me tocava e eu timidamente deixava...

Sem perceber, estava onde queria ir, ao ponto mais alto da montanha, ao fundo do mar. Dançar pela noite dentro, pelo meio de estrelas e planetas e apenas com uma espectadora a assistir.

Suspiro sem mexer o peito. O meu calor, o calor dela. O receio de ambos... 

Passou o tempo, passaram as horas, não passou a timidez, a viagem acabou...

O tempo voou a velocidade da luz, o receio porem resistia:

-Não me interpretes mal, apenas quero que esta viagem não acabe. - Testando a telepatia.

Obrigaram-me a abrir os olhos, a sair do colo, a largar a mão, os pés estavam doridos...

-Neste momento dou-te o meu coração, o meu colo, o calor da minha mão. - Abusando de um dom que não tenho.

Senti o chão por baixo de nós, deixando num ápice as estrelas para trás.

Não abri os olhos, senti o suor libertar-se no afastamento do rosto, senti perder-se o calor das mãos para iluminar-me o sorriso...

Continuo de olhos fechados. Apenas sei que ela sorri...

Ainda não tinha sorrido naquelas horas, não era preciso.

Apenas sei que ela sorri...

Diante de mim, o vulto, o meio, o caminho, o percurso, o fim, a mão, TU...

Abro finalmente os olhos... 

Sorri! Não me obrigavam a sorrir...

Obrigado pela viagem!

No pares! Quiero quedarme en tus brazos!

*Texto oferecido por alguém que tem o seu "timing". Maturos? Nunca seremos...

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