-Bandido! – Sussurra-me ao ouvido.
-Bandido? Apenas sou verdadeiro. Não sei o que é o futuro. – Respondo com a minha voz grave e pesada, para parecer ainda mais real.
-Bandido! Faz-me sentir que nunca devia ter-te conhecido!
Recuo. Acendo um cigarro, e suspiro fundo.
- Já podes tirar a venda dos olhos. - Afirmo num tom monocórdico.
-Já? - Surpreendida, continua… – Como já?
Não respondo, prefiro reparar na luz do cigarro que nos iluminava.
- Leonardo! – Sussurra de novo, com sensualidade.
Levanto-me, sacudo a areia que me inunda o colo, e avanço o suficiente para não ouvir o próximo sussurro.
Ao sentir-me afastar-me Mariana tira a venda do rosto energeticamente, aproximasse e sussurra-me novamente ao ouvido:
- Não tenho. Tu tens?
Mariana sorri. Daqueles sorrisos que ficam gravados na memória. Abraça-me com a sua maior força. Sinto as suas unhas entranhar-se na minha pele morena, que me desviam a atenção da sua resposta.
- Não devemos de querer mais do que aquilo que já temos...
Sem se aperceber da dor causada, Mariana fala pela primeira sem sussurro.
- Então e… Granada. Já não vamos?
Tento decidir a minha resposta mas não me dá tempo. Oiço a sua voz desfalecer.
- Disseste que esperavas todo o tempo do mundo por mim…
Volto-me para ela, desta vez bem devagar. Dou uma última passa no cigarro e entrego-o a ela.
Enquanto ela leva o cigarro á boca, respondo:
. Vá, vamos, está a ficar tarde…

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