06 maio, 2009

-Bandido!  – Sussurra-me ao ouvido.

-Bandido? Apenas sou verdadeiro. Não sei o que é o futuro.  – Respondo com a minha voz grave e pesada, para parecer ainda mais real.

-Bandido! Faz-me sentir que nunca devia ter-te conhecido!  

Recuo. Acendo um cigarro, e suspiro fundo.  

- Já podes tirar a venda dos olhos.  - Afirmo num tom monocórdico.

-Já? - Surpreendida, continua…  – Como já?

Não respondo, prefiro reparar na luz do cigarro que nos iluminava.

- Leonardo!  – Sussurra de novo, com sensualidade.

Levanto-me, sacudo a areia que me inunda o colo, e avanço o suficiente para não ouvir o próximo sussurro.

Ao sentir-me afastar-me Mariana tira a venda do rosto energeticamente, aproximasse e sussurra-me novamente ao ouvido:  

- Leonardo? Porque é que tens medo?

Olho-a penetrantemente. Aquele olhar que me arruína. Olho para a minha mão que lhe afaga primeiro os cabelos e depois o rosto. 

- Não tenho. Tu tens?

Mariana sorri. Daqueles sorrisos que ficam gravados na memória. Abraça-me com a sua maior força. Sinto as suas unhas entranhar-se na minha pele morena, que me desviam a atenção da sua resposta. 

- Não devemos de querer mais do que aquilo que já temos...

Não a deixo terminar. Coloco o meu dedo na sua boca a implorar-lhe silêncio. Beijo esse dedo que há momentos atrás detalhava o seu corpo e sinto a sua respiração. Reparo que eu não respiro. Realizo, que quando partimos para um beijo sustemos sempre a respiração.

Num só movimento, viro-lhe as costas. As suas unhas vincadas na minha pele rasgam-me ligeiramente. O suficiente para ter um esgar de dor.

Sem se aperceber da dor causada, Mariana fala pela primeira sem sussurro.

- Então e… Granada. Já não vamos?

Tento decidir a minha resposta mas não me dá tempo. Oiço a sua voz desfalecer.

- Disseste que esperavas todo o tempo do mundo por mim…

Volto-me para ela, desta vez bem devagar. Dou uma última passa no cigarro e entrego-o a ela.

Enquanto ela leva o cigarro á boca, respondo:

. Vá, vamos, está a ficar tarde…

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