Encerrado. Encarcerado. Enclausurado.
Encerrado está o caso da casa Amarela. Todos opinaram, e foram poucos aqueles que conseguiram manter-se imparciais. Foram dias longos de investigação. Noites de nicotina e cafeína, em doses duplas. E o resultado estava á vista de todos, mas ninguém queria acreditar. As crianças carregadas de inocência, brincavam no jardim a poucos metros daquela pequena trágedia. Soltavam sons de pura alegria. E gracejavam das caras sérias e do vai e vem dos adultos. Afinal quem era? Ou melhor, quem foi o culpado? Ninguém queria saber. Sempre preferiram escrever novas histórias, imaginar melhores e mais entusiasmantes finais. Não queriam acreditar que o caso da casa Amarela, não era um caso daqueles que passam nas noticias. Já se imaginavam a dar entrevistas para o grande ecran das suas casas sem cor. Havia até uma senhora, que normalmente não se dava a estas coisas, que se embonecava todos os dias, só para o caso de um dia a televisão aparecer. E as crianças riam... quando viam aquelas cores berrantes. Mas não, não foi nada de especial. E foi o Sr. Manuel, que desvendou o caso. Apenas tinha sido Suicidio.
Encarcerado pelas paredes amarelas de sua casa,que tanto trabalho tinham dado a pintar, Valente cedeu. Não conseguiu resisitir ao seu destino, e apressou-se a chegar junto a ele.Tinha pintado as paredes de Amarelo, porque tinha lido algures que poderia ficar mais Feliz. Que os dias, junto à cor do Astro Rei, ficariam mais leves, mais quentes. Foram várias as vezes que os seus amigos o tentaram tirar de casa, mas em vão. Valente estava determinado em ser um melhor Homem, um melhor amigo, um guru para os amigos que viviam na tristeza. Houve dias que dançou. Outros que ria à gargalhada. Mas de noite, quando o Amarelo se desvanecia, vinha o sentimento do esforço de estar bem. Fechava e abria os olhos para focar melhor aquela cor terapeutica, até que, acabava sempre por adormecer.
Enclausurado no seu desejo de ser Feliz, prometia constatemente, em alto e bom som, que no dia que saisse, tudo seria diferente. E quanto tempo duraria esta clausura? Nem Valente sabia. No entanto tinha a certeza que esta, era a solução mais certa. Passavam os dias... E nada. Nem uma melhoria. Parecia sempre que tudo o que fazia, era em esforço. Até que um dia... Valente cedeu. Não conseguiu resisitir ao seu destino, e apressou-se a chegar junto a ele. Mas não, não foi nada de especial. E foi o Sr. Manuel, que desvendou o caso. As crianças já o sabiam há muito tempo. Apenas esperaram... mas a brincar.

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