06 maio, 2010

- Trazes-me esta alegria que não sei explicar!

- De verdade?

- Sem dúvida. Há muito tempo que não me sentia tão dentro de mim. Contigo, fico no silêncio. Fico contente por estar, mas também por partir. E o teu canto, é indiscritivel. O teu olhar penetrante. Não preciso de palavrões, aliás, não preciso de palavras sequer...

- ...

- Vês? É isto que digo. Fechas os teus olhos, esboças esse sorriso... e tudo fica em suspenso. Eu sei que não foi fácil para ti, que procuras o que os outros também procuram. E hoje, como o mesmo sabor deste café... Sei que te vou encontrar novamente.

- Au revoir!

- Au revoir!

Faltam poucos minutos para entrar de novo na espiral de palavras. Palavras que todos me irão entender, mesmo que esteja no silêncio. E sinto, que nunca saí de lá. Daí. Daqui.

Oiço esta linguagem, e não a quero ouvir. Porquê?

Talvez porque ainda estou farto.

O sorriso (nervoso?) de uma viagem... Um salto para o desconhecido, para fugir ao conhecido.

Volto-me para trás. Quero vê-la novamente.

Digo " Au revoir! ", baixinho, muito baixinho.

 

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