08 agosto, 2010

De repente, viu-se ali. Ali, sem saber onde estava. Não fazia a menor ideia onde era o Norte ou o Sul, Este ou Oeste... Não! Isso, também é demais. Mas pelo menos fingiu que não sabia. E como sabemos, isso já é muito bom.

Mas estava confuso... Era demasiado barulho. Eram demasiadas cores. Demasiadas vozes. Por isso, preferiu estar sozinho. Num instante, fechou-se numa bolha em que nada ou ninguém penetrava. E por isso também, começou a Chover.

No primeiro segundo, era uma chuva miudinha. No segundo, chovia torrencialmente. E o barulho aumentou. As cores multiplicaram-se, e as vozes... Calaram-se.

Fora daquela bolha, todos se queriam proteger. Todos procuravam abrigo. Mas ele preferiu ficar imóvel que nem uma estátua. Fechou os olhos e procurou o sol.

Aproveitando uma ligeira brisa que vinha de Norte, sentiu o cheiro do alecrim. E sentiu-se com o direito de mandar, nem que seja só desta vez, na rosa dos ventos.

Alecrim, alecrim aos molhos. Como manda a canção e começou a chorar. Não! Isso, também é demais. Mas pelo menos correu umas lágrimas. E como sabemos, isso já é muito bom.

Rosa Maria é nome do Alecrim, no jardim onde se encontra. Rosa Mariaaaa?!? Não entende. E porque não entende, chama, sempre de olhos fechados, o vento de Este.

Ahh! O vento de Este não espera nem um milésimo de segundo e traz-lhe o cheiro do Sexo. Do Sexo? Porque sempre o Sexo? Mas o que é certo, é que lhe trouxe todas as recordações do passado. Não muito longínquo. Mas quando se fala em Sexo, mais que 1 mês, uiii, é tãoo longínquo. Passo a passo. Mulher a mulher. Sensações a sensações. E não sentiu nada. Não! Isso, também é demais. Mas pelo menos sorriu. E como sabemos, isso já é muito bom.

É verdade! Sorriu. Um sorriso igual a um pôr do sol. Enorme. Grande. E porque nasceu à beira mar, a poente, no Oceano. Sentiu o cheiro do Mar. Do mar... Saudades do mar. Saudades (tantas) do mar. Aquele que lava, que lavra a nossa alma. Que humedece os olhos, até daquele que diz que não chora, porque não tem alma. Mas não estranhem... As rochas têm alma?!?

Não, não têm. Mas têm Sal. Têm mesmo Sal. E é tão raro encontrar Sal. Pelo menos na rua onde moramos. Há quem tenha livros, para encontrar o melhor Sal. Eu tenho. Como o tenho? Apenas tenho. Porque é que tenho? Tenho. Mas porque continuam a perguntar? Não continuam? Sou eu? OK. Falta o Sul.

Sul? Calor.

Por mais que se esforçe, não o consegue. Pede a todos os Santinhos, e nem mesmo assim o consegue. Consegue que o protejam. Que devolvam o que é dele. Mas calor? Não! Isso, também é demais. Pelo menos no jardim onde se encontra. Mas por vezes, corre uma brisa quente à noite. E como sabemos, isso já é muito bom.

Em vez de calor, vem um som de um piano. Que traz a musicalidade da Morte. Da Morte? Abre os olhos. Que merda! A Morte. Porque a Morte? Porque é que sorrimos enquanto vivemos?

Fecha os olhos, acende um cigarro que vem de Leste, esforça-se para cheirar o mar, o alecrim, ou a Rosa Maria, como queiram, mas o cheiro moribundo continua.

Mas é o Piano que toca. E por favor... respeite-mos o Piano, A Morte, a Vida, a Rosa dos ventos! Por favor... Por favor!


Por favor... Sintam. Não! Isso, também é demais. Mas pelo menos, finjam que sintem. E como sabemos, isso já é muito bom.

(Desculpa não ter estado aí)

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