De repente, sente uma respiração quente nas suas costas. Sem mostrar que tinha notado, continua imóvel a contemplar as estrelas.
-Aqui, não se consegue ver bem as estrelas, não achas?
Surpreso pela leitura dos seus pensamentos, pára a respiração e tenta perceber se esta voz não foi fruto da sua imaginação.
Devagar, tira as suas mãos dos seus bolsos, e sente a pedra fria onde está sentado.
Não se atreve a olhar para trás e discretamente tenta colocar as mãos por trás do seu corpo, para tentar perceber se está só.
Descobre uma forma redonda, algo parecido com uma argola, mas está fixo no assento.
Tenta então ver se é verdade o que se disse, e nota, que apenas consegue ver a olho nu, duas pequenas estrelas.
-É por causa da luz da cidade, que não nos deixa ver com exactidão o que nos cobre, o que nos protege. – Disse em voz alta.
Não, porque ontem estive numa pequena praia, sem qualquer cidade á volta, e também não se via bem. - Desta vez tem a certeza que não é imaginação.
-Então não sei. Talvez porque a luz da Lua esteja demasiado forte.
Silêncio, o eterno silêncio.
-Pensas demasiado…tens que encontrar uma explicação para tudo?
Estremece do susto, mas não responde. Fixa os seus olhos nos céus e procura com lenta sofridão, encontrar pelo menos a terceira estrela.
A voz feminina e calma volta a carga:
-Abre os olhos, abre bem os olhos. Se não queres que a vida seja assim, não podes ter esse tipo de comportamento.
Enquanto analisava aquelas palavras, levantou-se com exaltação dizendo:
-Ah! Encontrei, vê ali! Está ali um pequeno conjunto de estrelas. Parece que formam uma pequena borboleta.
Foi o seu primeiro sorriso daquele dia, que já era noite.
Os seus passos eram apressados, mas a meio do pontão, pára, olha sem hesitar para trás, e vê que a voz já estava longe.
Esboça um segundo sorriso e diz baixinho:
- Em cada sinal vermelho esperamos sempre, porque sabemos que este irá sempre ficar verde.

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