Perdido ou preso no topo da torre do castelo, oiço um murmurar: - Não saias daqui! Livre e bem decidido na minha rota, nos jardins do Palácio, gritam: -Não saias daqui! Sou capaz de tudo. Sou capaz de ser tudo. Mas por mais que continue quieto, sei que o mundo continua a girar. E eu giro com ele... Ouviram? Sim, giro com ele. É impossivel estar imóvel. É impossivel estar sempre no mesmo sitio. Quem não percebe, é porque habita num mundo onde não há estrelas cadentes, onde o infinito é finito. Onde a verdade é egoismo e o sentimento é sinónimo de dor. Anjos ou demónios, por favor, oiçam o meu grito. E ensinem-me tudo aquilo que tenho que fazer. Para que, de uma vez por todas, me possam entender. E assim continuar vivo, em tudo aquilo que eu acredito. Não é que tenha medo de morrer, Ou, como alguns pensam, de morrer sozinho. Não quero é ter que viver, Sem nunca saborear o meu próprio caminho. A verdade... A minha verdade, Não devia doer tanto. Devia ser flores e sorrisos no meio do pranto, Para que pudesse enfeitar uma janela desta cidade. Não sairei daqui nunca, Mas lembro, que vivo uma fantasia que é realidade. E seja num palácio ou numa espelunca, Nunca irei perder a minha liberdade.
22 agosto, 2009
Por
Ricardo Marques

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